Selo UNICEF encerra VI Ciclo de Capacitação no Ceará com quase 300 participantes

O encontro reuniu relatos, apresentação musical e palestra sobre as experiências e aprendizados dos últimos quatro anos

Momentos lúdicos e musicais, partilha de experiências e reflexões sobre conquistas, desafios e lições aprendidas marcaram o encerramento do VI Ciclo de Capacitação da edição do Selo UNICEF 2017-2020, que reuniu, na tarde de quarta-feira (3), 291 participantes de 122 municípios cearenses em encontro por teleconferência.

O dinamarquês Dennis Larsen, chefe de programas do UNICEF no semiárido brasileiro, compartilhou as experiências vivenciadas na China, país onde esteve no início da pandemia, em março, para apoiar ações de comunicação para o desenvolvimento da prevenção à Covid-19 em reforço às ações de isolamento social daquele país. Ele relata que, apesar das diferenças socioeconômicas e culturais entre as nações, adolescentes e jovens de diferentes regiões do mundo vivenciam dificuldades semelhantes neste período de distanciamento social. “Essa experiência que o jovem está vivendo de ansiedade, neste período que precisa ficar em casa, ocorre no mundo inteiro”, ressalta.

Dennis Larsen destacou a importância de debater desafios, mas também apresentar soluções. “Precisamos compartilhar preocupações, mas também ver soluções. Como vamos continuar esses serviços (essenciais) nos municípios mesmo durante a pandemia e executar as ações do Selo?”, questiona. “Precisamos ouvir os adolescentes e sempre olhar para os mais vulneráveis. O Selo UNICEF pode ser um grande modelo para o mundo”, avalia.

O chefe do escritório do Selo UNICEF no Ceará, Rui Aguiar, aproveitou a ocasião para homenagear a pedagoga Stela Naspolini, “que foi uma das mais criativas e inovadoras educadoras infantis do Brasil”. “Quando foi lançado, no dia 6 de junho de 1999, ele (Selo) já nasceu como a esperança de implementação do ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente), que este ano completa 30 anos”, relembra. No último dia 5 de maio foram comemorados 20 anos da entrega dos primeiros selos, com a presença de Renato Aragão na Vila Olímpica de Messejana, em Fortaleza. 

Rui Aguiar convidou os participantes a realizar um balanço do trabalho executado nos últimos anos. “Depois de quase 40 meses de muito trabalho juntos, tiramos o dia de hoje para celebrar cada uma destes elementos que nos foi ensinado por Stela. Que desafios você venceu? Quais as suas conquistas pessoais e profissionais? Quais as lições aprendidas com tudo isso? O que vamos passar para frente?”, questiona.

Antes da palestra principal, os participantes foram convidados a acompanhar o ritmo do músico Wawa Pinho, jovem cantor natural de Fortaleza e residente da região do Cariri há mais de dez anos. Ele embalou a tarde com músicas regionais, com referência ao sertão nordestino, e foi aplaudido a distância pelos quase 300 participantes.

Educadora Tatiana Passos Zylberberg

Em seguida, a educadora, escritora e escultora Tatiana Passos Zylberberg ministrou uma sensível palestra, convidando a todos a refletir sobre os aprendizados vivenciados nesta edição do Selo UNICEF, e fez uma conexão com o momento atual, apontando os desafios e questionamentos pessoais diante de um cenário tão complexo imposto pela pandemia da Covid-19. “A única coisa que podemos fazer hoje é partilhar, a gente não pode se encontrar, se abraçar, mas a gente pode partilhar”, aponta.

Educadora há mais de 20 anos, Tatiana Passos compartilhou experiências vividas com os próprios alunos. Ela apontou que a ansiedade e insegurança potencializadas pela pandemia impactaram especialmente os jovens e apresentou dinâmicas realizadas junto aos estudantes para ampliar o espectro do ensino. Em vez de cobrança do conteúdo tradicional, o foco passou a ser o olhar para o outro. Como estavam se sentindo diante dessa mudança brusca de vida? Como os jovens estavam lidando com a ansiedade do isolamento social? 

Tatiana Passos – que também é autora do livro “O menino que desenhava o invisível”,  publicado em 2019 pelo projeto Eu sou Cidadão – Amigos da Leitura, da APDMCE – reforça o importante papel do educador na Busca Ativa, principalmente em momentos sensíveis como o atual. “Faço Busca Ativa há 20 anos mesmo com meus alunos da universidade. Não é porque o jovem passou dos 18 anos que ele não precisa mais de suporte e acolhimento”, explica.

A presidente da Associação para o Desenvolvimento do Ceará (APDMCE), Sônia Fortaleza, entidade implementadora do Selo no Estado, reforçou o legado que as ações do Selo deixarão para os municípios. “Como unidade capacitadora do Selo me sinto no dever de dizer que a instituição tem a missão de despertar nos profissionais o desejo de colocar em prática as metas do Selo, o desejo de fazer a diferença nas vidas das pessoas e transformar o meio em que a gente vive. A magnitude e a grandeza de onde vocês vivem dependem de vocês”, declarou.

Presidente da APDMCE, Sônia Fortaleza

O encontro também contou com o depoimento de adolescentes que integram o Núcleo de Cidadania de Adolescentes (NUCA), como é o caso da estudante Rafaela Cristina de Sousa Menezes, do município de Cruz. “A palavra de hoje é gratidão por tudo que a gente já passou e por tudo que aprendi nesse período. Sou muito grata por ter participado dessa experiência, que me tornou uma pessoa melhor”, diz.

A implementadora do Selo UNICEF no Ceará, Amélia Prudente, parabenizou os municípios pelo empenho no trabalho ao longo destes 40 meses e destacou que o momento traz aprendizados que transcendem a vivência pessoal. “A gente vai decolar não só para a nossa vida, mas para a vida de outras pessoas. Que tal decolarmos com a certificação do Selo UNICEF?”, destaca.

Ao final do encontro, mobilizadores e articuladores compartilharam relatos de seus municípios e agradeceram pelo momento partilhado. A equipe da APDMCE colocou-se à disposição para tirar dúvidas dos municípios, nas próximas semanas, nesta reta final para a apresentação das ações realizadas. 

Balanço das atividades:

O VI Ciclo de Capacitação do Selo UNICEF – Ceará contou com a realização de dez encontros, sendo duas teleconferências plenárias e oito reuniões remotas de grupos de trabalho. Foram contabilizadas nestes eventos o total de 929 participações de pelo menos 292 pessoas diferentes de 137 municípios cearenses. Os encontros, que ocorreram de 12 de maio a 3 de junho, reuniram articuladores e gestores municipais para debater estratégias de prevenção à Covid-19 e a continuidade de serviços de educação, saúde e assistência social no contexto da pandemia do novo coronavírus. Nos encontros também foi abordada a preparação dos municípios para postagem de documentos comprobatórios relativos aos resultados sistêmicos. 

A abertura do VI Ciclo de Capacitação foi realizada em 12 de maio e contou com palestras do coordenador da Célula de Vigilância Epidemiológica da Prefeitura de Fortaleza, Antônio Lima, e da terapeuta ocupacional e consultora para ações de Desenvolvimento Infantil e Saúde do Selo UNICEF no Ceará, Metilde Ferreira.

Nesta primeira fase, os participantes foram apresentados aos materiais audiovisuais do VI Ciclo de Capacitação disponíveis no site do Selo UNICEF, sendo orientados a acessá-los em preparação à segunda fase do ciclo, que ocorreu de 18 a 21 de maio. Nesta fase, os municípios inscritos foram divididos em quatro grupos de trabalho (um por dia), organizados conforme o nível de postagem na Plataforma Crescendo Juntos. 

Na terceira etapa, de 25 a 28 de maio, os encontros aconteceram de maneira segmentada pelos temas Proteção Básica e Especial, Busca Ativa Escolar, Engajamento de Adolescentes e Desenvolvimento Infantil e Direitos Sexuais e Reprodutivos. Os municípios participaram de acordo com as necessidades específicas levantadas pelos consultores e consultoras que estão avaliando as postagens na plataforma. O encerramento do VI Ciclo ocorreu em 3 de junho. 

Objetivos:

O VI Ciclo de Capacitação do UNICEF visa a promover ações de prevenção e continuidade de serviços para crianças e adolescentes em municípios de alta vulnerabilidade social no semiárido cearense no contexto da Covid-19 a partir de uma teleconferência sobre prevenção, uma sobre saúde mental e oito sobre continuidade de serviços essenciais (saúde, assistência social e educação) nos municípios durante a pandemia.

Chefe do escritório do UNICEF no Ceará, Rui Aguiar
Dennis Larsen, chefe de programas do UNICEF no semiárido brasileiro
Implementadora do Selo UNICEF no Ceará, Amélia Prudente